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VISÃO 360º: regras básicas para gerenciar problemas e configurações
 
Data: 09/07/2007 Veículo: FIAP - Faculdade de Informática e Administração Pa Seção: Cia. da Informação - Assessoria de Imprenssa UF: SP

VISÃO 360º: regras básicas para gerenciar problemas e configurações

 

                                                                                                                        Por Silvio Chelli*

 

O controle dos problemas permite identificar as reais causas dos incidentes, enquanto a gestão de configurações funciona como alicerce para outros processos do ITIL.

 

Quando se fala em gerenciamento de problemas, normalmente surgem algumas questões entre as equipes de serviços de TI. As mais freqüentes dizem respeito a como utilizar essa disciplina de ITIL; qual é a diferença entre gerenciamento de incidentes e de problemas e quais os benefícios que podem ser obtidos com o seu emprego.

 

Antes de entrar no mérito dessas indagações, é preciso frisar que os objetivos principais do gerenciamento de problemas são minimizar os impactos dos incidentes e dos problemas causados por erros na infra-estrutura de TI ao negócio; prevenir a recorrência desses incidentes; descobrir a causa-raiz de um problema e documentar a solução encontrada em uma base de conhecimento. Utilizando esta fórmula, as informações ficarão sempre dentro da empresa e disponíveis a todos. A solução será encontrada mais rapidamente, além de impedir que fique restrita ao conhecimento de um técnico. Ou seja, as informações estarão acessíveis a toda equipe responsável, impedindo que o negócio dependa exclusivamente de uma única pessoa.

 

O gerenciamento de problemas difere do gerenciamento de incidentes no que diz respeito à descoberta da causa-raiz do problema e a sua documentação na base de conhecimento – apenas a equipe de problemas pode cadastrar soluções dentro dessa base. Para ter um gerenciamento efetivo das intercorrências é necessário que se tenha o controle de problemas, bem como dos erros. O controle dos problemas tem a função de identificar as reais causas subjacentes dos incidentes para prevenir problemas futuros. Para alcançar tal objetivo, são definidos a identificação, o registro, a classificação, a investigação e o diagnóstico do problema, que é enviado, após o resultado, ao controle de erro. Este tem a função de verificar todos os processos envolvidos para a sua correção. Sua atividade envolve a documentação da solução e o envio de requisições de mudanças voltadas para os componentes de TI na busca da solução do problema. O erro é solucionado apenas quando as alterações necessárias forem efetivadas. 

 

Esse processo é válido para empresas de diferentes portes. A diferença corresponderá ao número de pessoas envolvidas no processo de identificação e de solução do problema. Não importa o tamanho da empresa; todos deverão ter conhecimento das etapas envolvidas.

 

O gerenciamento de problemas apresenta diversos benefícios; dentre eles, a melhoria da qualidade dos serviços prestados pela área de TI; a redução do volume de incidentes; a busca de soluções permanentes e sua documentação; a independência das pessoas para resolução de problemas e o aumento do índice da taxa de solução imediata de um incidente já no primeiro contato.

 

Como gerenciar configurações

 

No que diz respeito ao gerenciamento de configurações, algumas questões também são levantadas. Para que serve? O que é um item de configuração? Qual é a diferença entre gerenciamento de ativos e gerenciamento de configurações? Quais são os benefícios?

 

O gerenciamento de configurações é o alicerce para os outros processos do ITIL, porque provê todas as informações do ambiente como hardware, software, acordos de nível de serviço (SLAs), documentações e configurações do ambiente. O gerenciamento de ativos administra os itens físicos palpáveis, sem os elementos identificadores de sua configuração; enquanto o gerenciamento de configurações administra itens lógicos como documentações, configurações do ambiente, entre outros. Todas as informações referentes aos itens acima são gravadas no banco de dados de gerenciamento de configurações (BDGC).

 

O item de configuração (IC) é utilizado para determinar como cada uma das partes será armazenada no BDGC. Por exemplo: se for necessário armazenar as informações de um servidor, este será um item de configuração e deve-se estabelecer qual é o grau de detalhamento que se deseja atingir, inserindo informações como marca, modelo, quantidade e tipo de memória, velocidade do processador, entre outros. Um outro exemplo para software pode ser o correio eletrônico, modelo, versão, capacidade de usuários, número de licenças, a identificação do hardware mínimo, bem como o item de configuração no qual está instalado o software.

 

Os itens de configurações se interrelacionam. Assim, quando existir alguma alteração, é possível saber quais itens da infra-estrutura serão afetados. Cada IC tem, normalmente, vários atributos. Entre eles estão o nome, a versão do IC, sua localização, o responsável e a licença. Outros itens, como categoria, envolvem hardware, software e documentação. Outra característica é a data de aceite que retrata o momento em que a organização aceitou esse item. Já o atributo de status envolve o ambiente de desenvolvimento, de teste e de produção, enquanto que o atributo do relacionamento corresponde aos outros ICs a ele relacionados. Exemplificando: quando se tratar de um item de configuração de software, há necessidade de um IC de hardware para seu armazenamento, além de um outro de documentação demonstrando a instalação e a configuração.

 

Ante a ausência do banco de dados de gerenciamento de configuração (BDGC), os outros processos de ITIL serão ineficientes, porque nele estão as informações necessárias e as configurações do ambiente como um todo para quaisquer alterações e consultas.

 

Os benefícios da implementação do processo de gerenciamento de configurações são expressivos, pois permitem à organização fazer uma análise de impacto e de paradas programadas com segurança, reduzindo o risco de a mudança afetar o ambiente de produção. Proporciona ainda o controle sobre os itens de configuração mais importantes. Finalmente, vale destacar a contribuição para o plano de contingência, pois em caso de desastre, o BDGC terá as informações dos itens necessários para restauração do serviço afetado.

 

Todo o processo acima descrito corresponde a um guia de melhores práticas que auxilia a organização a caminhar a passos largos para o melhor uso da tecnologia, evitando desperdícios e tornando-a apta a enfrentar a concorrência, não despendendo força e tempo com problemas estruturais.

 

* Silvio Chelli é coordenador do MBA em Gerenciamento de Serviços de TI com ênfase em ITIL e ISO 20000 da FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista e engenheiro com pós-graduação pela Fundação Vanzolini (USP) e MBA pela FEA-USP. É diretor de infra-estrutura da InfoServer Informática e diretor do itSMF Brasil.



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