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Aluga-se CIO
 
Data: 03/08/2007 Veículo: Info Abril Seção: Notícias UF: SP


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Aluga-se CIO  
   
  SÃO PAULO - Empresas contratam ex-CIOs experientes para gerir grandes projetos por tempo determinado ou mesmo para reorganizar a TI. Veja como aproveitar essa nova onda.

A empresa precisa implantar um grande projeto, trocar o ERP ou renovar a infra-estrutura de TI, mas não tem um CIO com experiência em empreitadas desse tipo? A contratação de um CIO temporário pode ser a solução. Muitos profissionais tarimbados de tecnologia já perceberam essa oportunidade e atuam como CIOs autônomos. O acordo de trabalho tem prazo determinado, atrelado a um projeto, e difere da consultoria, pois, no lugar de dizer o que deve ser feito, o CIO temporário é quem toma as decisões, de acordo com o objetivo traçado pelo CEO da empresa contratante ou pelo conselho de administração da companhia.

"O CIO temporário é contratado por quem já conhece suas credenciais e precisa de uma pessoa experiente e com credibilidade para reorganizar a TI", afirma Jairo Okret, sócio da Korn/Ferry, empresa de recolocação de executivos. Segundo Okret, existem poucos e bons profissionais com esse perfil no mercado, dispostos a encarar projetos que costumam durar de seis a 12 meses, e no máximo dois anos. O valor pago varia conforme a complexidade do projeto e o porte do cliente. Em alguns casos há componentes variáveis do pagamento, atrelado a resultados. Entre um cliente e outro, o CIO de aluguel dedica-se a projetos pontuais ou à sua própria empresa. É o caso de Enio Jorge Salu, diretor técnico da Easy Drive Assessoria Empresarial, empresa que desenvolveu um software de gestão de contratos. Mas, no período de janeiro a setembro deste ano, Salu está comprometido ao menos dois dias por semana com o Hospital e Maternidade Christovão da Gama, em Santo André, no ABC paulista. "No trabalho de CIO temporário, o que conta é a experiência pessoal e a visão prática", afirma Salu, que foi CIO do Hospital Sírio-Libanês. Sua missão como CIO temporário do Christovão da Gama envolve desde a abertura da concorrência para o ERP que substituirá o antigo, desenvolvido em DataFlex, até o roll out do pacote escolhido, o MV Sistemas. Em paralelo, Salu percebeu outras necessidades de TI, como a migração do banco de dados, a implantação de um BI, a formalização de processos, a reestruturação organizacional e a criação de uma política de segurança. "Dificilmente uma empresa de consultoria aceitaria um trabalho dentro desse escopo", diz Armando Mesnik, diretor superintendente do hospital Christovão da Gama. Segundo Mesnik, a equipe de TI interna ofereceu resistência no início, mas logo abraçou a idéia e hoje participa ativamente das discussões."Ao final do projeto, a equipe interna de TI estará oxigenada com modernos processos de gestão", diz Mesnik.

Quando terminar o projeto, Salu estudará outras propostas para continuar atuando como CIO temporário, mas também precisará cuidar dos negócios da EasyDrive, que, nesse período, estão sendo tocados pelos sócios. "É preciso separar o CIO do fornecedor, até por uma questão ética", diz Salu. Para garantir padrões éticos, os contratos de serviço de CIO temporário têm cláusulas de confidencialidade e penalidades de ambas as partes, além de um período de quarentena, para que a experiência adquirida na empresa não seja utilizada no concorrente.

Dedicação

"O benefício de ser um CIO temporário é mergulhar no setor e vislumbrar as oportunidades", diz Rogério Nunes, sócio da empresa de consultoria, serviços de TI e software JKT. A contrapartida é que essa dedicação integral compromete a estratégia como empreendedor. "Não dá para conciliar as duas coisas", diz Nunes, ex-CIO do SBT e de outras empresas do Grupo Silvio Santos, que passou um ano e meio full time no comando da TI de um atacadista de produtos industrializados no interior de São Paulo. A solicitação inicial do cliente era de diagnóstico e sugestões de melhoria para a área de TI, com o objetivo de suportar o crescimento planejado dos negócios. Segundo Nunes, após o início do trabalho, como a demanda era robusta, foi necessário assumir a área de TI, também para viabilizar o fluxo de caixa do projeto." Ser um CIO temporário não estava nos planos", diz Nunes, que permaneceu na empresa de outubro de 2005 até abril passado, período em que implantou o ERP, revisou a arquitetura e indicou o atual CIO. Para acompanhar os negócios da JKT, Nunes passava as noites no hotel, ligado no Skype, conversando com seu sócio, Jairo Koda, que passou pela TI da Unilever e da Bombril, e também tem experiência como CIO terceirizado em indústrias.

Não falta trabalho para os CIOs de aluguel. "Tenho recebido muitas propostas, principalmente para fazer a virada da gestão de TI", diz Luiz Asmir, que foi por dois anos CIO da Editora Abril e passou outros dois na operadora de saúde Intermédica. Segundo Asmir, o rendimento médio mensal de um CIO terceirizado está na faixa de 30 mil a 35 mil reais, podendo chegar a 80 mil reais, de acordo com a complexidade da missão."Cobro alto quando é preciso mexer fundo na gestão e na estrutura organizacional, não só da TI, mas das demais áreas.É o tipo de trabalho que exige ficar na empresa das 7 horas da manhã até as 11 da noite, com meta a cumprir e prazo para acabar", diz Asmir, que foi também CIO do Citibank e do CCF, atual HSBC.

Trabalho difícil

Nem tudo é tranqüilo na vida de um CIO temporário. Há os que são contratados para reduzir gastos e pessoal, o que gera uma maior resistência interna. "É preciso saber enxergar a situação de fora, sem corporativismo. Só ter olhos para aquele trabalho, não para o emprego", afirma Asmir. Para tentar minimizar os atritos, a receita de Asmir é circular pelas áreas usuárias, convidar as pessoas-chave para almoços e investir no networking interno. "Além da estrutura formal de poder, é preciso transitar pela estrutura informal, de onde vem boa parte dos ruídos", afirma Asmir, que, entre um projeto de virada e outro como CIO transitório, dá expediente na Faculdade de Tecnologia de Curitiba, que fundou com a mulher em 1999 e hoje abriga 400 alunos. O empresário também administra uma fábrica de software, a Day Software, que emprega 50 funcionários. "Não penso em voltar a ser CLT", afirma Asmir.

Outro ex-CIO que se cansou da vida corporativa foi Edson Moraes, que trabalhou por 21 anos no Bank of America. "Sou autônomo por opção e estou achando bárbaro", diz Moraes, dono da ESM Projetos, aberta em 2003, quando o Bank of America encerrou as operações no Brasil. Atualmente Moraes presta serviços em um banco de investimentos no qual passa dois dias por semana coordenando aspectos estratégicos de TI. "É um trabalho muito próximo da experiência de ser CIO, com a vantagem de que não tenho de compactuar com as questões políticas. Não tenho mais paciência para isso. O que me dá prazer é acompanhar os projetos e manter o foco nos resultados", diz Moraes. Quando não está com os clientes, ele trabalha de casa, monitorando as atividades dos gerentes que nomeia para os projetos. São CIOs em trânsito no mercado ou profissionais autônomos de perfil sênior, que Moraes conhece ou são indicados por colegas. "Tenho um banco de dados com 200 nomes, que vou selecionando conforme a demanda", diz. Atualmente, Moraes gerencia oito pessoas em diferentes empresas, as quais visita semanalmente para uma reunião de acompanhamento e coaching. Quem o contrata são CIOs em busca de opinião externa para validar suas necessidades ou CEOs que desejam estruturar a governança corporativa. Preparado para ser um CIO temporário?

Info CORPORATEPor Luana Pavani, edição de julho da Info CORPORATE

 
 
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