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NOVAS FORMAS DE GERENCIAR EQUIPES
Heitor
José Pereira
Quando entramos no ambiente de
trabalho de uma organização, é comum encontrarmos os profissionais
divididos fisicamente de acordo com os papéis que desempenham. O que não fica
tão aparente é que a divisão física acarreta uma segmentação do conhecimento,
que passa a ser gerado por departamentos. Por isso, é preciso rever o
tradicional modo de gerenciar as equipes, para que seja possível aproveitar o
trabalho do todo, criando uma interação holística, e não apenas ver a
organização como a simples junção dos setores administrativo, financeiro, de
comunicação etc.
Ainda sobre esse tema, acredito
que muito se tem falado sobre as questões da liderança, e pouco sobre as
questões do time e da capacidade que um grupo tem de criar novas soluções a
partir das experiências coletivas. Hoje, mesmo com o avanço dos meios de
comunicação e da informática, que diminui as dimensões espaço/tempo, a
departamentalização física dos escritórios ainda diminui o fluxo de informações
entre funcionários que exercem tarefas diferentes. Isso faz com que as pessoas
tenham acesso somente às opiniões daqueles que compartilham dos mesmos
processos e tarefas, sendo que a visão de uma “terceira pessoa”, imparcial ao
problema, é muito importante.
Para ficar um pouco mais claro
como um ambiente sem as tradicionais "barreiras" pode trazer benefícios,
imagine uma empresa de softwares que deseja criar um novo programa para
operacionalizar as tarefas do setor administrativo de uma determinada
organização. Mesmo com todo o conhecimento técnico e a experiência em
programação, a opinião do profissional do setor em foco é de grande importância
para a equipe de criação, pois ele adquiriu o conhecimento tácito, ou seja,
provindo da experiência diária do trabalho.
O conhecimento adquirido com a
rotina de um escritório, por exemplo, não pode ser deixado apenas para quem
realiza a determinada tarefa; é necessário criar métodos e ferramentas que
tornem possível compartilhar tal aprendizado. Isso é a gestão do
conhecimento, em uma breve explicação: práticas e políticas que buscam ampliar
o conhecimento individual dos profissionais a partir da socialização do
conhecimento acumulado pelo grupo. Em uma situação mais delicada, como por
exemplo o desligamento de um funcionário que carrega muitas informações
consigo, os prejuízos à organização podem ser ainda maiores. Uma lacuna é
criada, causando a interrupção de um importante projeto.
Quantas vezes, ao longo de um
dia de trabalho, não queremos consultar uma pessoa que está fora no nosso
círculo comum? O ser humano tem o costume de partilhar informações, na busca de
aprimorar seus conhecimentos, desde a época em que utilizava os desenhos
rupestres para se comunicar. Isso mostra que o ato de tornar o conhecimento
comum é algo atávico, ou seja, que vem de um passado remoto.
Como exemplos de ferramentas de
gestão do conhecimento que podem ampliar as discussões dentro de uma
organização, no sentido saudável do termo, podemos citar a intranet e os blogs
internos. Esses, elaborados pelo time de comunicação, tornam-se espaços que
permitem discussões por profissionais de diversas áreas, ampliando o leque de
alternativas para a solução de um problema em
específico. Já se ouve falar em lugares em que
empresas de diferentes setores de atuação, como produtores de filmes e ateliês,
dividem espaços comuns, para aumentar o fluxo de informações e intensificar a
inovação.
Nesses casos, quando as
experiências são compartilhadas, vale lembrar um ditado árabe: quando dois
homens se encontram e trocam pães, ambos saem exatamente com o que possuíam
antes de terem os caminhos cruzados. Mas quando eles trocam idéias, os dois vão
embora com o dobro de conhecimento.
Heitor
José Pereira é Doutor em Administração
(EAESP/FGV,1995); Professor da FIA – Fundação Instituto de Administração e de MBAs
de várias instituições (FGV Management; IBMEC;PUC-PR) e Presidente da SBGC -
Associação Brasileira de Gestão do Conhecimento.
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