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Entrevista Peter Mello
Premiado pelo PMI com o
Eric
Jenett Project Management Excellence Award
Brasília é reconhecida por
excelência em Gerenciamento de Projetos pelo Project Management Institute
através do Eric Jenett Project Management
Excellence Award. Em novembro, Peter Mello é o primeiro
latino-americano a receber esta premiação criada em homenagem ao fundador do
PMI (1969).
“O Programa de
Premiações do PMI reconhece a excelência em gerenciamento de Projetos em
diversas categorias para organizações, comunidades, capítulos do PMI, trabalhos
voluntários, produtos e indivíduos,” disse Gregory Balestrero, presidente e CEO do PMI. “Ganhar este prêmio é um
testemunho do valor que o gerenciamento de Projetos pode trazer para uma
variedade de envolvidos (stakeholders).”

Foto Entrega do Prêmio: Gregory, Peter e Ricardo Vargas (esq. p/ dir.)
O prêmio, até hoje concedido para sete pessoas,
honra os indivíduos que se destacam por uma ampla contribuição para a
prática da profissão de Gerenciamento de Projetos, demonstrando liderança e
iniciativa enquanto desenvolvendo avanços em relação a conceitos, técnicas,
práticas ou teorias sobre o Gerenciamento de Projetos.
MundoPM – O PMI já concedeu
alguns prêmios para brasileiros, em diversas categorias. Ainda assim, este é o
primeiro prêmio individual concedido no Brasil. Como foi a seleção?
Peter Mello – Venho atuando
como voluntário em diversas iniciativas do PMI desde 2003 e também trabalhei na
promoção do Gerenciamento de Projetos a partir da criação de uma comunidade de
estudantes e profissionais na área. Com aquela comunidade, tive a oportunidade
de me aproximar do sr. Russell Archibald, membro n#6 do PMI e responsável pelo
primeiro discurso dado por aquela associação em sua abertura, em 1969. O então
“Clube PMP” apoiou a pesquisa do sr. Archibald em relação à categorização de
projetos (hoje podemos encontrar a aplicação prática desta pesquisa no modelo
de maturidade em projetos do Prado &
Archibald).
Na ocasião,
contei ao sr. Archibald sobre meu desejo de distribuir materiais gratuitos em
Gerenciamento de Projetos através de um material de apoio. Ele apoiou meu
projeto com o envio de materiais que foram distribuídos no que ficou conhecido
como o Curso GP2000. Alguns anos depois, com a ampliação de nossa parceria,
escrevi meus primeiros seminários para eventos do PMI em co-autoria com este
profissional.
Conheci o sr.
Edward Fern (EUA) e Vladimir Liberzon (Rússia) em função deste círculo de
trabalho iniciado com a pesquisa sobre categorização de projetos e então o sr.
Russell Archibald percebeu meu entusiasmo em promover o Success Driven Project
Management, método criado por Liberzon e apresentado ao Ocidente em suas
primeiras aparições pelo sr. Fern e pelo próprio Archibald.
Minha candidatura
ao prêmio foi então enviada por ele e outros profissionais, defendendo meu
empenho em ampliar os horizontes do gerenciamento de projetos.
MundoPM – O Clube PMP não
existe mais. É um projeto que deu errado?
Peter Mello – Quando o
clube nasceu, a idéia era criar um portal de conhecimento e que levasse as
pessoas a outras fontes de conhecimento, como eventos do PMI, do IPMA ou
qualquer outra associação em projetos que pudesse contribuir com a ampliação de
nosso conhecimento sobre a área. Eu fui articulista, webmaster e programador
deste portal em meu tempo livre, enquanto trabalhava como Gerente de Projetos
em uma grande empresa de serviços em Brasília.
O clube cresceu rapidamente e em menos de um ano já tínhamos passado de
1.500 membros. O Curso GP2000, com
dezenas de materiais gratuitos já tinha mais de 2.000 downloads. Consegui então
um patrocínio da empresa onde eu dava cursos preparatórios para a Certificação
e lançamos um programa inédito, com materiais registrados junto ao PMI. Isso
ajudou a alavancar o material e meus treinamentos, mas foi o começo do fim do
clube.
O que aconteceu
em seguida é que alguns membros de capítulos do PMI entenderam que a iniciativa
gratuita tinha sido uma grande estratégia de marketing para lançar
comercialmente a empresa. Eu finalmente
tinha um patrocínio, o que seguramente contribuiu para alavancar a qualidade do
material e a amplitude de sua distribuição, mas eu acho que “mexeu com o
queijo” de muita gente, pois o clube - sem uma organização formal - tinha
membros em todo o Brasil, contribuía para pesquisas nacionais e internacionais
e ainda por cima agora “ganhava dinheiro”.
Eu levei a briga
adiante por um tempo, mas por fim ficou mais fácil simplesmente abandonar o
portal (que inclusive já tinha sido “hackeado” em duas oportunidades logo antes
do seu funeral); por outro lado, a parceria com o patrocinador do Curso GP2000
floresceu para uma nova oportunidade e de fato tornou-se uma iniciativa
vinculada a uma empresa. Eu fui convidado a ser um dos sócios da X25
Treinamento e Consultoria no final de 2005 e os materiais gratuitos deixavam de
ser uma iniciativa “do Peter com o patrocínio da X25” e passaram a ser “um
produto” dentro do nosso programa de contribuição social.
O meu projeto
pessoal, de expandir os horizontes sobre estudos relacionados ao Gerenciamento
de Projetos, não morreu. Eu transferi meus esforços para estar presente em
comunidades como a do EPLAN, hoje maior lista de discussão em Gerenciamento de
Projetos do Brasil, graças aos esforços do seu fundador e moderador Lápis (Luis
Augusto Pinheiro da Silva). O Curso GP teve novas edições, com atualizações do
PMBOK, e hoje continua gratuito e oferecendo mais de 1000 slides sobre
Gerenciamento de Projetos. Já foram mais
de 30.000 downloads e a sua nova versão (InteliMedia com PMBOK2008) foi lançada
em Abril, já chegando aos 2.000 usuários em 8 meses.
MundoPM – Mas afinal, você
ganhou dinheiro com aquela iniciativa, tão temida por alguns?
Peter Mello – O Clube em si
nunca deu dinheiro. Por sinal, devo até a devolução a alguns associados de
pequenas contribuições que recebi para manter o site e o material, na promessa
de versões melhores e serviços mais completos. Tem umas três ou quatro pessoas
que contribuíram com cerca de R$ 20,00 ou R$ 30,00 que eu perdi o contato (com
os hackers) e nunca entreguei o que prometi! De sua fundação à seu enterro, o
Clube acumulou em doações algo em torno de uns R$ 2.000,00 que foram utilizados
em hospedagem, desenvolvimento, entre outros.
Por outro lado,
desta iniciativa nasceu parcerias com a Time-to-Profit (Simulados para
Certificação PMP), com a X25 e com a Spider Rússia. Estas empresas hoje – juntas – pagam pelo meu
salário e pelo tempo que dedico semanalmente à manutenção de materiais
gratuitos, artigos e participações em listas. Tenho muito orgulho disso e acho que o
resultado financeiro só amplia minhas chances de continuar trabalhando com
iniciativas gratuitas. Hoje em dia, além do meu salário, a X25 ainda paga pelo
tempo parcial de alguns de nossos consultores especialmente para atenderem
gratuitamente a comunidade. Eu deixei de
ser um empregado de uma grande consultoria para ser sócio em uma empresa que
vem crescendo bem acima da média nacional nos últimos anos.
MundoPM – O que este prêmio
deverá trazer para você?
Peter Mello – Eu tenho a
certeza de que vou ampliar meus horizontes em networking por conta desta
premiação, que tem reconhecimento internacional. Isso deverá também ampliar a possibilidade de
pessoas contribuírem com a iniciativa dos materiais que produzo. Hoje, a Spider
patrocina o pacote e ele é utilizado na divulgação da solução russa, mas a
condição para tal que eu levei como imposição à Rússia foi o de ampliar os
benefícios da versão gratuita. Assim, o InteliMedia (o nome atual do pacote)
não é apenas uma solução gratuita que ensina conceitos básicos em gerenciamento
de projetos, mas traz ferramentas para que profissionais e estudantes usem o
conjunto inclusive em projetos reais.
Eu tenho a
esperança de que capítulos do PMI e universidades em geral passem a apoiar esta
iniciativa, não só em sua divulgação e uso, mas na formatação e inclusão de
novos conteúdos! O PMI tem patrocínios, os capítulos do PMI tem patrocínios,
este material também tem patrocínios; se a minha marca (X25/Spider) estão se
beneficiando da promoção deste material, eu diria que é uma troca justa em
relação à amplitude do que nos colocamos a trazer para as pessoas. Só para você ter uma idéia, hoje tenho mais
de 2.000 usuários da versão gratuita do pacote e menos de 30 pessoas
contrataram os serviços online adicionais que oferecemos como pacote pago.
Praticamente todo o material criado para atender àqueles que pagam pelo serviço
é incluso na versão gratuita e a efetiva diferença entre as duas versões é que
na segunda podemos dar uma atenção mais pessoal ao aluno, visto que ele paga
pelo tempo de nossos consultores.
MundoPM – A premiação não é só
para aqueles que demonstram liderança, mas também colaboram com avanços em
relação a conceitos e técnicas. Como você se enxerga neste contexto?
Peter Mello – Minha mais
recente bandeira é em defesa do SDPM – Success Driven Project Management. É uma
metodologia revolucionária desenvolvida pela Spider na Rússia e que está aberta
ao mercado como não-proprietária. Meu desejo é contribuir por estudos sobre o
assunto que levem outras empresas a implementarem os seus princípios em
ferramentas tradicionais do mercado, como o MSProject ou o Primavera. Graças a MundoPM e seminários do PMI eu tive
algumas oportunidades de fazer esta metodologia mais conhecida e ela começa a
entrar em trabalhos de conclusão de cursos na área de projetos. Agora temos o
website www.sdpmanagement.org onde
vamos reunir a experiência de profissionais de pelo menos 10 países sobre o
assunto. A maior parte do conteúdo colocado neste site está dentro do
licenciamento Creative Labs, permitindo que outras pessoas possam utilizar este
conhecimento inclusive para iniciativas comerciais.
De certa forma, o
SDPManagement.Org é o renascimento do Clube PMP! Esperamos criar uma comunidade
que contribuam amplamente para melhorias das técnicas, métodos e conceitos de
nossa área de trabalho.
MundoPM – O SDPM não é uma
técnica exclusiva da ferramenta que você representa comercialmente?
Peter Mello – Eu diria que
por enquanto sim. O criador da metodologia é um gerente de projetos e consultor
na área, não um fabricante de software. Ele foi obrigado à desenvolver a sua ferramenta
pois as soluções de mercado não eram capazes de fazer tudo aquilo que ele
reconhecia como importante para o desenvolvimento de bons projetos. Hoje, o
software é até rentável, mas contribui apenas com uma parcela do sucesso da
Spider Management Technologies junto aos mais de 10 países onde atua.
Eu vejo um futuro
onde o método será reconhecido pela sua capacidade de integrar o gerenciamento
de riscos à gestão de escopo, custo e prazo por dezenas de fabricantes e todos
eles poderão adotar a metodologia em suas ferramentas! Parece contraditória, a
idéia vindo de um russo, mas o SDPM está aberto ao público, de forma
democrática!
O sr. Liberzon
esteve no Brasil este ano e oferecemos palestras gratuitas para mais de 1.000
pessoas. O conteúdo abordado foi essencialmente prático e temos dezenas de
usuários que já estão adotando os conceitos de SDPM graças a disponibilidade do
licenciamento gratuito da ferramenta para pequenos projetos.
Em meu sonho de
consumo, um dia uma empresa de porte, que efetivamente poderá distribuir bem a
ferramenta no Brasil, irá me fazer uma proposta para assumir sua representação
e me devolver o direito de ser apenas um usuário e crítico da ferramenta. É
muito complicado ser o representante comercial de algo que eu defendo
conceitualmente, pois acredito nos resultados que oferece. A verdade é que ser
um representante Spider é conseqüência do meu esforço para aprender e divulgar
o SDPM, não a sua razão de ser.
MundoPM – O que impede o SDPM de
ser utilizado hoje nas ferramentas já existentes? Afinal, não é uma
metodologia?
Peter Mello – De fato,
qualquer pessoa com uma boa organização e documentação de suas informações de
projeto pode aplicar os conceitos de SDPM utilizando uma solução de
cronogramas, alguma ferramenta para o cálculo resultados probabilísticos em
cronogramas e, talvez uma tabela Excel para calcular os indicadores de
probabilidade de sucesso que são a essência do método.
Por trabalhar com
análise de tendências, o SDPM exige que se tenha um histórico completo de
medições de projeto. Isso pode ser feito com a guarda de múltiplas versões de
um cronograma para avaliar o seu desempenho entre cada novo planejamento ou
medição de progresso. Por tratar de
análise probabilística relacionada à riscos e incertezas, o SDPM irá exigir um
bom processo de identificação, análise e resposta à riscos e a sua simulação nos
cronogramas. Métodos de simulação podem incluir soluções simples em planilhas e
softwares estatísticos para a aplicação de Monte Carlo ou até mesmo PERT.
A Spider
Management criou um mecanismo próprio de avaliação de probabilidades que é um
mix entre Monte Carlo e Pert, pois é mais importante para o método ter precisão
das informações do que acurácia. Na
ausência deste mecanismo interno, PERT e Monte Carlo podem dar resultados
aproximados suficientes para o uso do método.
Portanto, a
aplicação de SDPM em outras ferramentas é trabalhosa, mas possível. Os
resultados em termos de ganho sobre variações em projeto por conta de riscos e
incertezas podem compensar o esforço.
Redação Revista MundoPM –
12/11/2009
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